segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A Vingança de Platão


Sempre fui um estranho no ninho. O mainstream, com todas suas possibilidades óbvias e tradicionais nunca me encheram os olhos. Daí o flerte pelo lado B, a esquerda, o underground. O problema é que a decepção é maior ainda, na maioria das vezes.

A comunidade hippie, a associação dos trabalhadores, o povo hipster de hoje. Entro nesses lugares e tenho a mesma impressão que possuo sobre os bananas da superfície: clubes privativos, pa ne li nhas. Que devolvem na mesma moeda toda a discriminação, seleção e bullying que sofreram.

O que traz uma luz pra questão é a guinada cristã: oferecer a outra face.

(tudo que tá na Bíblia soa muito idiota ao pé da letra. A Bíblia, assim como outros livros de iluminação espiritual, não segue um código criptografado. É necessário, entretanto, estar atento para figuras de linguagem caducas, de outra época e também a lição final de cada história. Falar passagens fora de seu contexto, como em qualquer argumentação, só distorce as coisas)

Poisintão. O caminho válido, digno e que nos tona algo mais do que animais com wireless e tomografia computadorizada é o da vingança platônica. Cristo e Platão falaram um bando de coisas parecidas.

Lembra do Platão (aquele pensador grego que já morreu muito muito tempo atrás, daquela gente que vivia nas Pólis, nas Acrópoles, pensando, pensando e pensando)?

A Vingança de Platão consiste em viver a sua vida, da melhor forma, receber com dignidade os que lhe sacanearam e provar que, apesar daquilo, sua vida é boa e a prova imposta em verdade o fortaleceu (aqui já é um pouquinho de Nietzsche). Conviver, superar, perdoar e seguir em frente é o que nos torna humanos. Isso sim é dar a outra face.

Animal é agir por instintos. É pular na garganta do ofensor, morder sua orelha e dizer que a mãe dele tem cabelo no dedo do pé. Não é poraí. Olho por olho? A gente não precisa disso. Já tivemos tantas revoluções, cada classe provou sua importância como peça da complexa dinâmica do tecido social. A humanidade brigou até aqui e percebemos que a Terra, nossa casa, não está mais aguentando esse comportamento infantil e atômico. Que se não nos unirmos, a despeito de quaisquer que sejam nossos deuses, cor, sexualidade ou chapéus teremos o mesmo fim, seremos poeira cósmica de novo, do pó ao pó. A intolerância custa muito caro para todos nós.

É uma opção difícil. Ser honesto é uma prova de fogo. O atalho é mais fácil.

Passar o trote adiante, reafirmar preconceitos, fingir que o troco a mais está certo, cobiçar as mangas do quintal do vizinho, são atitudes do mundo cão, atitude de gente fraca, sem alma e sem esperança.

Ser bom é para os fortes.  
(Foto: Maísa Narvaez)

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